Arquivo | janeiro, 2010

Boomerang

31 jan

…e volto ao blog.
Sempre volto, mesmo. Porém, hoje lembrei de coisas que não voltam mais.
Ontem de madrugada, conversando com uns amigos, ficamos relembrando os anos 90. Sou noventista orgulhosa, e digo que vivi tudo o que hoje os adolescentes sentem falta. MUITA falta.
Fiz um ranking não só aos 90’s, mas às eternas crianças meladas de sorvete que vivem em cada um de nós:

10º – Granulado
Eu sei, em qualquer festa infantil -ou não- de aniversário você vê brigadeiro, ou outro doce com granulado. Mas quem nunca pegou um brigadeiro, sem a forminha, deixando cair granulado no chão da tia? No final da festa, era aquela visão do inferno… as crianças menores tinham passado a mãozinha imunda nas paredes, deixando os cinco dedos marcados pelo corredor inteeeeeiro; as latas vazias de cerveja em lugares estratégicos, com aquela surpresinha de bituca de cigarro dentro; e o clássico granulado esmagado, grudado e diabolicamente ESFREGADO no rejunte da cozinha! Dava vontade de fechar o portão de casa, dar uma vassoura pra cada convidado e ir dormir!

9º – Quem chuta mais alto
Não vejo mais nenhuma criança fazendo isso hoje em dia. A gente corria do fim do quintal, numa velocidade que se entrasse um pé na frente era capaz de causar um traumatismo craniano, e literalmente levantava voo pra chutar a parede. E pro ódio amargurado de nossas mães, dificilmente isso era feito sem chinelo.
O pé marcava a parede, e assim era possível escolher o vencedor: o que chutava mais alto!
Pior é que poucos caíam de novo em pé. Eu sempre chutava mais baixo que meus primos por medo de cair. É uma reação óbvia, mas eu era a única menina. O único cérebro sensato.

8º – Churros
Apenas dois tipos de pessoas consomem churros: as crianças, e os adultos gordos. Sinto que serei uma adulta gorda, porque não consigo imaginar um mundo com doces porém sem churros. As crianças que tiveram cabelo comprido com certeza lembram do vento, que batia sempre no sentido contrário, deixando uma mecha de doce de leite na cabeça. E da reclamação das mães, ou avós, que íam comprar churros naquela boa vontade… mas depois chamavam o vendedor de filho da puta por causa do cheiro de fritura na roupa.
Ai, ai…

7º – Fuiiiim…Fuiiiiiiiim…
Era genial. Um anel de plástico, com um cooler em cima (depois de grande que a gente percebe certas coisas…), que você assoprava e fazia um barulhinho bem irritante. Era brinde de tudo: ovo de páscoa, chiclete ruim que a gente comprava só por causa do brinquedinho, pirulito, lembrancinha de buffet e até cereal.
Poucas pessoas sabem que, o anelzinho foi parado de ser fabricado porque algumas crianças acabavam sugando e morrendo asfixiadas. É.

6º – Andar descalço
Hoje, andar descalço é um privilégio que poucos podem ter. Quando colocamos o pé no chão, logo nos vem as coisas que o médico falou; o medo que deu aquela reportagem do Fantástico sobre germes, e o último artigo da Época descrevendo o que cada um faria na sua corrente sanguínea.
Mas quando somos crianças… ah, e daí? A mãe grita que você vai pegar um resfriado ou que pode pisar em alguma coisa que machuque. E se machucar?
O chinelo era um detalhe muito chato. Você tá no quintal espalhando suas tralhas, quando o desenho começa. Corre! Caverna do Dragão, Cavalo de Fogo, Power Rangers, Tom & Jerry… E o chinelo? Que chinelo?
Não valia a pena correr de volta até o quintal só pra pegar o chinelo, e perder a música de abertura.

5º – Deu tilt!
“Ah, deu tilt. Assopra a fita aê.”

4º – Perdeu, passa o controle.
Fui uma criança que conheceu a dor de levar capotes no quintal, e a dor de cabeça por jogar tanto Nintendo. E a regra sempre foi: perdeu, passa o controle. Mané.
Não importa se você deu 500 especiais, ou se você tava jogando com um personagem “duro”. Perdeu? Ninguém mandou escolher o Zangief se tem mais experiência com a Cammy. Mané.

3º – Se cair daqui eu morro?
“Cala a boca, menina!” vinha logo em seguida. Em qualquer lugar, qualquer hora, se estivesse a mais de um metro do chão, eu queria apenas saber se morreria. Nossas mães nunca entenderam isso. A gente não iria se jogar -ou pelo menos não na frente delas-, era uma dúvida que ecoava e merecia uma resposta de verdade.
Cresci, e vi na internet o que aconteceria comigo se pulasse de certas alturas… nunca mais perguntei.

2º – Sexta-feira é dia de…
Brinquedo! AÊ! Nem sei se todas as escolas tinham isso, mas a minha foi até a terceira série. Sexta-feira era linda, as meninas faziam piquenique no pátio e estranhamente colocavam Barbies pra comerem junto. Os meninos levavam aqueles bonecos que antes eram bestas, e agora são sonho de consumo feminino. A gente chamava aquele menino lindo da quarta série pra experimentar o bolo, comprado, mas ainda assim bolo. O pátio era dividido em três: as patricinhas que não levavam brinquedo porque era brega e infantil; os meninos com suas armas de raio laser e castelos medievais com muito sangue e inimigos atirando bombas e… e a minha turma passando por todos eles pra chegar na diretoria. Normal.

1º – 1,2,3 Thais!
É que eu cheguei primeiro 🙂