Arquivo | março, 2010

Avoada

5 mar

“Já sentiu vontade de ser uma cor?
É, parece viagem minha, mas… e se pudéssemos mudar de cor? Até podemos, no sol, mas bem além disso. Se fosse possível escolher, todos os dias uma cor diferente assim como escolhemos roupas.
Penso que a roupa é uma forma de demonstrar essa vontade, inconsciente talvez, de gostar tanto de uma cor.
Eu tenho ímã pra coisas vermelhas, isso desde criança. Minha avó ama. Usa nas unhas, no cabelo ruivo, batons.
Deve ser influência da vó Lurd.

Eu amo vermelho, e derivados dele… mas queria escolher uma por dia. Mudar a cor da pele mesmo. Ficar azul, bem azul, bem caneta Bic.
Outro dia ficar rosa, depois púrpura. Sei lá.
Queria que tintas saíssem dos meus dedos, como se fossem vidrinhos com tampa. A gente mentaliza uma cor, e passa as mãos na parede, no papel, na roupa.
Imagina como tudo seria diferente.

Mas daí, então, quando eu estivesse nervosa sairia cores bem vivas e escuras. Quase como sangue colorido. E quando estivesse feliz poderia até sair uma cor de cada dedo. Eu passaria no cabelo, faria uma maquiagem de palhaço, pintaria as paredes.
As cores melhoram tudo, sabe… não tem melancolia que não se cure com cores. Mas nunca sozinhas.”

“Cinza continua sendo cor, mas, você já viu um arco-íris?”