Arquivo | abril, 2010

Obrigada.

23 abr

Engraçado o que aconteceu ontem. Engraçado e bom.
Eu nunca tive uma religião definida, até porque nunca me preocupei em escolher uma. Ainda não posso me considerar católica, mas ontem alguma coisa muito boa me puxou pra igreja matriz da cidade.
É linda.
Fui batizada lá, e senti uma sensação muito diferente ao chegar. É complicado explicar.
Tinha uma aflição comigo -que só de lembrar me dá calafrios-, que ninguém além de mim poderia saber. Não tinha com quem dividir.
Nem a amiga mais próxima poderia entender, nem a mais íntima.

Então, entrei.

Mais ou menos vazia, fui sentar nos bancos de madeira bem em frente ao Cristo crucificado. Ainda acho de um puta mau gosto colocar uma imagem assim, sendo que seria muito melhor termos lembranças boas d’Ele.
E assim me rendi espírito e mentalmente às minhas confissões. Infelizmente pesadas, e de MUITA importância.
Falei como que diretamente com a mulher mais forte que existe: Maria. Pedi auxílio, sabedoria e quem sabe até uma gotinha do seu oceano de força.
Como boa cética chata e fria, tentei não me surpreender. Assumo que relutei sim ao entrar na igreja.

Não sei o que acontece lá.
Se for um lance psicológico, uma coisa realmente interior que se potencializa com os santos… não sei.
Eu não acreditava no poder de Jesus Cristo. Percebe o verbo no passado?
Prefiro não duvidar porque não sei da verdade. A única verdade que EU sei, é que a vibração daquela igreja e de Maria e Cristo, me revigoraram.

Isso aqui não é o desabafo de uma errada da vida que se arrependeu e caiu desesperada aos pés dos santos. Tire apenas o “errada da vida” dessa frase, e aí sim.
Me arrependi amargamente, e pedi perdão pelos erros que estavam me atormentando. Conversei mesmo. Reza pra mim é isso.
Agradeci a TUDO que tive, tenho e ainda terei.
A única coisa da qual me envergonho, é ter negado por tanto tempo o poder da fé dentro de mim mesma.

Depois de uma sessão de descarrego com a minha mãe, logo que cheguei em casa, senti que já estava mais otimista. Chorei de uma forma que não chorava há anos.
Meu arrependimento foi tão grande que senti medo de mim. E bastante.

Provei da minha própria reprovação. Deus não erra.

Agora quero que tudo volte ao normal, e que MEU Deus, MINHA Força e Luz continuem me acompanhando.

17 abr

Envergonhe-se de seus pais. Minta sobre sua verdadeira origem de vida, e nascimento. Chute cachorros e gatos de rua, com bastante força. Assuste bebês, mesmo aqueles que sorrirem.
Amaldiçoe sua família; mude-se de casa e esqueça de todos os parentes.
Dê mais valor aos “conhecidos”, do quê aos amigos de infância.
Engravide uma mulher, e suma depois. Ou então, faça com que uma mulher deposite todo o seu amor em você e depois, simplesmente, transe com todas as amigas dele.
Faça com que ela saiba disso. E dos detalhes.
Ganhe muito dinheiro, muito mesmo, e gaste exclusivamente com você. Só você. Não dê qualquer ajuda, mesmo que não saia de sua conta bancária.
Não seja solidário. Ridicularize casas de apoio.
Jogue seus pais num asilo bem escondido da cidade, e nunca mais volte a vê-los.
Beba tudo o que há de mais forte, fique completamente alterado e espanque o primeiro que cruzar seu rumo. Mesmo que seja seu filho.
Não apenas experimente drogas. Vire usuário compulsivo, obsessivo. Faça justiça com as próprias mãos, pedras, paus, lanças…

Tudo volta.

Lollabowstock 2!

16 abr

Fiquei sabendo que vai acontecer um novo Woodstock no Brasil. Uma releitura né, gente?
Sem rogar praga, nem nada disso, imagine… mas acredita que um negócio desse vai dar certo?
Sei lá, brasileiro só devia organizar festa pequena. Dentro de casa, e som desligado após as 22h, obrigada.

Mentira.
Já desobedeci demais essa lei, e nem ligo. Festa tem que ser loucura mesmo, ainda mais se tratando de Woodstock! Seria como organizar um carnaval nos EUA. A mesma proporção.
Tomara que não vire a cagada que foi o último Woodstock, porque de confusão o Brasil já tá legal.

E vai acontecer o Lollapalooza. E o Bowlie2.
Acho que dos dois festivais eu não tiro nenhuma banda, e se tiro é porque não conheço.
Sabe aquelas bandas que você ouve durante uns meses, depois esquece um pouco por não ficar sabendo de nada novo, e quando surge alguma coisa enfim você meio que volta no tempo?
Mesmo que esse tempo tenha sido só o ano passado?
Apples In The Stereo, New Pornographers, Kooks, Iron And Wine, Pink Spiders…
Lembro que surtei quando vi um comercial da Pepsi passando com a “Energy” do AITS. Pornographers é bem diferente, mas um diferente bom. Não chega a ser tão exóticamente chato, tipo Sonic Youth.
Kooks é uma lindeza. Não conheci uma pessoa até hoje que ouvisse uma música e odiasse. Iron And Wine muita gente odeia, ou dorme.
Pink Spiders eu já devo ter citado aqui… são doidos, e eu adoro.

Fãs de Sonic Youth são todos surdos e mentirosos. Certeza.

Despertador externo

13 abr

Acho que uma das coisas que eu mais odeio é acordar com campainha. Acordar de manhã mesmo.
É uma falta tão monstra de elegância visitar alguém de manhã, sem avisar, e ainda fazer o FAVOR de apertar a campainha. Qualquer ser, por mais primitivo que seja, sabe que o mundo todo não acorda num horário só. Se você curte acordar super cedo e sair por aí dando a “honra” da sua presença, problema é seu. Foda-se. Eu não levanto, não atendo, e ainda te chamo de filho da puta.

Coisa de filho da puta também é querer separar obrigações como “de homem” e “de mulher”. Aqui em casa não acontece disso porque sabem que eu odeio, e fico estressada se tentam me levar nessa.
“Seu irmão não vai fazer isso porque é obrigação da mulher!”
Quê?
Sim, já ouvi uma vez e fiz um sermão tão bíblico que isso nunca mais aconteceu.
Nada é obrigação de ninguém.
Homens fazem serviço doméstico tão bem quanto as mulheres levam empresas multinacionais. E vice-versa.

Pior que essa separação de deveres, só as mulheres que abaixam a cabeça e obedecem.

A graça de tirar a graça. Completamente.

3 abr

Você conta uma coisa engraçada. As pessoas gostam dessa coisa e dão risada. Mas alguém não consegue parar de rir, ela simplesmente ri até você levar como ironia. Você leva como ironia e pensa em como alguém pode achar tanta graça numa história comum.
A partir daí, sua história engraçada parece só mais uma historinha comum. Perde o sentido porque alguém viu sentido demais.
Ou só fingiu que viu.

Odeio puxa-saco. Beijo.