Arquivo | junho, 2011

Marcelo Mastroianni!

21 jun

[Ri MUITO escrevendo esse título e texto!]

Nossa, mas tá um ar tão gostoso aqui nessa casa… Nem deve ser na casa, deve ser no dia inteiro, no meu bairro.
Hoje eu lembrei do tempo em que a gente daqui de casa preparava as malas e acordava cedão pra ir pra casa de Caraguá. Aí, chegando lá, entrávamos na casa com aquele cheiro de coisa guardada, um monte de cadeiras empilhadas, as almofadas do sofá levantadas.
E corajoso era quem virava essas almofadas: a surpresa era uma barata, lagartinha ou aranhas! Mas, tudo bem. Daí então passávamos o sábado todo comendo demais, se acabando no almoço divino da tia Alzira, beliscando pipoca doce e bolacha recheada, tomando os 400 sorvetes que o freezer nunca dava conta de gelar, jogando Mau-Mau (aguentando o Tio Zé “mangueira dobrada” que pensava mil vezes antes de jogar), dominó, se matando de rir no Perfil com mulheres contra os homens, ou qualquer combinação de time que desse ali na hora… O dia durava que era uma beleza!
Agora, descansou o almoço? Certo, hora de ir pro mar! E nada de areia, beirinha da água, mi mi mi mi, frescura. Meu pai juntava eu, Thi, Gabi e Jequinha, e era só sucesso. Água batendo no queixo, os pés perdendo a firmeza, as ondas engolindo a gente… Digno de Discovery Channel ver aquelas ondas enormes encobrindo a cabeça! Era tão gostoso sair do mar só quando os dedos começavam a enrugar…
E quando começava a anoitecer, depois do churrascão/lanche de pão francês/calabresa frita da tia Nana/caipirinha da minha mãe/salada da tia Mary/novela das sete/fila no banheiro, todo mundo ía pro centro de Caraguá. Tá certo que a gente dava mil voltas, comprava brincos e colares bem vagabundinhos de uns hippies e COMIA mais, mas ué. Era uma das partes mais legais do dia.
Bom, quando chegávamos de novo em casa, eu nem precisava mais ouvir meu pai porque já sabia o que fazer: ir pro quintal porque senão morreria de rinite com tanto colchão balançando.
Mas aí depois, meu amigo… era a maior legião existente de primos da face da Terra pulando no meio da sala! A rinite era um luxo que a gente só percebia na segunda-feira! Aliás, segunda-feira dolorida. As costas vermelhaças do sol, os ombros pegando fogo, o cabelo duro de tanto sal do mar, as marcas de pernilongos que não picam… ESCAVAM sua pele. Mas ok, né, é claro.
Claro porque, no domingo, o dia seria ainda mais longo. Era o dia D, o final day, o grand finale, o último dia. Acordávamos mais cedo, andávamos muuuuuito até chegar no “Riozinho” (que ninguém sabe o nome original, mas de acordo com a minha família aquilo é pequenininho e se chama “Riozinho”). Até hoje a gente encontra os caranguejos de uma pata só, vermelhinha, que arma quando chega perto do seu pé. A hora de voltar era meio triste porque, os adultos já vinham planejando em como arrumar as malas, que hora sair, se parariam na estrada. Parar na estrada. Imagina morar dentro de um milho! Eu acharia perfeito, porque era assim que eu me sentia nas lanchonetes que a gente parava pra comer! Mas, enfim… o fim do meu domingo se resumia em pegar minhas coisinhas espalhadas pela casa, beijar todo mundo e segurar a cabeça do Thi dormindo no banco de trás.
Com rinite, queimada do sol, cansada, picada de mosquito, sono. Mas, ué. Será que eu posso MESMO reclamar?

A gente sabe que a vida se baseia em…
MARCELLO MASTROIANNI!

…Não posso mais viver as coisas de antes, mas, eu cresci. E tô curtindo muito.

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