Arquivo | janeiro, 2013

Pra quê ser tão sério?

31 jan

Eu só queria saber porque tanta gente tem medo de se sujar. De sair com as crianças pro parquinho da vila, e não pro playground do shopping. Eu fui uma criança que cresceu em playground fechadinho, dentro dos Boulevard enjoado paulistano, e agradeço aos meus pais por terem me dado uma infância tão gostosa naqueles labirintos de espuma..

Mas, não é a mesma coisa.

Eu ainda me sujei de tinta, de lama, areia, terra. Já estendi lençol no varal de uma ponta a outra pra criar uma “casinha”, com meu fogão de caixa de televisão.
Tive tempo demais pra ser criativa e aproveitar tudo.

Só que vejo muitos pais, e até crianças, com um certo pavor de brincar.
A tinta mancha a roupa, a lama tem bactérias, a água do mar é suja… Porra.
É desse jeito que são criados os muleques de 6 anos com fixação em tiro, guerra, sangue e meninas idiotinhas que não sujam as mãos de giz na escola, com medo de quebrar a unha.
Nem eu, com 21 anos, desisto de coisas legais por causa da sujeira que possa fazer, da bagunça, da zona… Existe água e sabão pra quê? Tenho os dois braços pra bagunçar, também os tenho pra limpar depois. E nem me importo.

De domingo, eu, meu irmão e o meu namorado assistimos filmes o dia inteiro. E eu sempre invento no almoço: macarrão rosa e azul, temaki, churrasco de panela (quer a receita? eu passo por e-mail! haha). Depois, faço um balde de pipoca. Ou derreto chocolate e coloco junto de alguma fruta, com gelatina, sorvete, o que tiver.
A louça? Bom, os pratos quase batem no teto. E aí, a gente se junta na cozinha e arruma.
Algumas panelas sujas não vão levar embora as risadas que a gente deu com os filmes, com a pipoca embaixo do colchão, o meu cachorro sujo de açúcar…

A rotina quadrada faz a gente perder o pouco tempo que temos com quem amamos. O final de semana é tão valioso, que eu passo a sexta-feira inteira pensando no que dá pra gente fazer em casa. Quando viajamos, então… nossa. Do carro, na estrada, e na volta, o maxilar vem duro de tanto rir.

Essa semana mesmo, eu dei biscoito do meu cachorro pro meu irmão sem ele saber. Enquanto mastigava, foi pro banheiro cuspir porque sentiu um “gosto de tapete da porra”. Ué, é biscoito. De farinha e água. Não fez mal algum, e eu ri muito. Ele nem tanto, mas conta pra todo mundo o que a irmã encapetada fez.

O que importa é não se importar demais. Afinal, água seca, sabão limpa e a vida passa rápido demais (:

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“Não conta pra sua mãe, tá?”

31 jan

Ontem discuti (amigavelmente, que fique claro) com uma amiga, sobre o que leva uma pessoa a praticar crueldades como a pedofilia. Além de falarmos, e muito, sobre Santa Maria, de alguma forma caímos nesse assunto. Alguns podem julgá-lo desagradável.
A pedofilia é inaceitável. O ato de querer entender o porquê é muito necessário. A pedofilia, homofobia, preconceito racial e religioso deveriam ser assuntos abordados na escola.

Desde pequenininho, a gente deveria saber que tudo isso é muito errado.

Crianças são abusadas todos os dias, porque o adulto nojento diz que é brincadeira. Que não precisa ter medo. Que “tá tudo bem”. Não tá tudo bem.
A merda disso está em manter o pavor de ensinar o que é o sexo para as crianças.
A técnica de abrir a cabeça, sair da casinha da segurança, e explicar DE FATO o que é o sexo. Explicar que sim, temos uma idade/forma/razão certa pra praticá-lo. E, principalmente, que o homem nem sempre escolhe a mulher, e vice-versa.

Formando nossas crianças nessa redoma ignorante de aço, só ajudamos pra que o tio, avô, pai, amigo da família, ou sejá lá quem, molde sua personalidade, ainda bruta.

E, só pra finalizar… qual é mesmo a desculpa que todo pedófilo preso dá? “Eu fui abusado na infância.” Agora, só nos resta julgar se é mesmo uma desculpa.

Ai 2012, você foi ridiculamente lindo.

30 jan

Todo mundo costuma fazer uma retrospectiva contando as alegrias e tristezas do ano que passou… Bom, já é dia 30.
Eu tive bastante tempo pra pensar no que escrever aqui, contando as desventuras de 2012.

Foram muitas.

Mas, a minha favorita, foi o delicioso soco no estômago que levei de alguns “amigos”. Soco imaginário, lógico, nenhum deles seria louco de enfrentar uma ítalo-brasileira de scarpin 38.

Fato é que, o que eles fizeram – e deixaram de fazer, também – me prejudicou muito. Quando eu digo muito, eu quero dizer CAPSLOCKAMENTE MUITO.
Fui deixada às moscas no meu último semestre da faculdade. Isso, porque o nosso grupo era obrigado a continuar com a mesma formação até o final do ano.
Aliás, sou ótima pra trabalhar em equipe. Meus pais me educaram muito bem, sei falar sem precisar atropelar a opinião do outro, e tento ao máximo não ser indelicada.
Eu sou naturalmente indelicada, sim. Só não aplico isso profissionalmente.

O que importa é que fiz o trabalho todo sozinha. E não era dez folhas sobre algum artista plástico, feito no Word, bonitinho.
Era um TCC, macacada.
Sabe o que significa fazer o TCC inteiro, por um ano e meio, com quatro pessoas, e do nada, perder essa segurança?
Eu me retirei do grupo no último semestre, e foi por livre, linda, loira, e poderosa vontade. Nunca fui querida de verdade.
Havia sempre um mimimi de “vamos pra casa do fulano” conversada secretamente sem querer. Eles jogavam no vento, e opa, se a Thais ouviu. Se a Thais ouviu, então ela que compareça.

Não ouço conversa dos outros. Pois é, não ouvia. No dia que saquei a forma de marcar reuniãozinha na casa de cada um, pude me tocar do que tava acontecendo.

O belíssimo fim dessa história deu-se na entrega do TCC. Todo mundo de exame apresentou, lá na frente, com slides e banca de professores sadomasocas.
Eu me apresentei no mesmo dia que eles. Alguns chamariam de esfregar a cara deles na poeira, mas não. Infelizmente, o dia do exame deles era o mesmo que o meu.
Trabalhei tanto no TCC, que nem tive tempo de me vingar. Não sou desse tipo, anyway.

Enfim… acho que nunca vi um grupo ser TÃO massacrado, em dois anos de faculdade. Tudo muito torto, feito de qualquer jeito, trabalhinho porco mesmo. Nessa hora, me ajoelhei e rezei umas caralhocentas Ave Marias por ter saído daquele lixo.
Ficaram com a maior ass face do universo.

E chega a minha vez. Conhecida nos corredores do Design, como a “tadinha que foi expulsa”. Má fama pra mim nunca foi um problema. Achava até divertido me passar por Maria do Bairro, às vezes.
Os elogios foram poucos, mas objetivos. Os professores elevaram meu ego até a Lua, por me chamar de uma coisa que eu sempre quis ouvir: corajosa.
E, ao olhar pra porta, pude ver as carinhas lavadas do meu ex-grupo, engolindo a língua com farinha de tanta raiva.

O final de 2012 foi o período em que eu mais ouvi “você não vai conseguir”. Duvidei de mim mesma, também. Chorei no colo do meu irmão dizendo, a mim mesma, que não conseguiria.

E eu consegui.

 

CHUPA, UMC!