Arquivo | fevereiro, 2013

Pastor Silas Malafaia e a contradição: best friends forever

4 fev

Pastor Silas Malafaia se diz igual à todo mundo. Chama os fiéis de ovelhas, e intitula-se pastor. Faz questão de levar a declaração do imposto de renda à um programa de entrevista, quando lugar nenhum questionou a procedência do dinheiro. De uma pergunta simples, surgiu um homem alterado e furioso com qualquer tipo de questão que fosse feita.
Todas eram direcionadas ao fato de alguns brasileiros acharem sua conduta duvidosa.
O problema é que em nenhum momento foi dito isso. Marília Gabriela simplesmente comentou, por cima, o que a revista Forbes havia publicado: ele é o pastor mais rico do país, ou um dos, não lembro…

Na minha cabeça, uma pessoa íntegra e ciente de seus atos, diria que a revista exagerou no que disse. Que já entraria com um processo contra a matéria, fim, resolvido.
Não foi assim. O pastor só faltou subir na mesa, pegando seus papéis de declaração e falando cada vez mais alto.

A gente sabe como um mentiroso age. Eu sou formada em Design Gráfico, não tenho nada a ver com Psicologia. É que eu nunca vi alguém falar a verdade com tanta bronca, tanto grito. Mentiroso é que faz teatrinho. Mentiroso chora, faz manha, contorna o assunto. Quem fala sério impõe a voz; diferente de gritar. Fala claramente porque precisa que você ouça cada palavra. Se mantém calmo, não tem o que esconder.
O pastor perdeu a credibilidade por isso. Ele engana seus fiéis, gente desesperada que paga o dízimo e completa o leite com água. Sei que dinheiro e fé não andam juntos.

No decorrer do programa, o assunto mais esperado acaba caindo: homossexualidade. Que aliás, ele não consegue mudar o “ismo” quando se refere à homossexuais. Diz que ama os gays, que não tem problema com eles…
Ah, por favor. A forma como ele “aceita” a homossexualidade é martelando a sua cura por meio de Deus. Que segundo ele, ninguém nasce gay. É apenas um comportamento.

Ok.

Agora, peço só que você vá um pouco mais fundo comigo… O pastor diz que não acredita que uma pessoa possa nascer gay, porque não existe nenhum dado genético que altere a opção sexual. Certo?

Um cara que acredita em milagres, mares abrindo e Jesus Cristo voltando. Tudo isso de existência contestável, né?
Ele é cético pra acreditar em genética. Evolução humana. E é religioso pra dizer que os gays são possuídos pelo demônio. É cético pra dizer que as pessoas adquirem comportamentos homossexuais. É religioso pra julgar todos os seus atos, porque Deus tá vendo e vai te mandar pro inferno se você não se converter.

Então? Cético ou evangélico? O amor entre homem e mulher é coisa de Deus. Entre pessoas do mesmo sexo é maldição. Não continua sendo amor? Eles não continuam sendo boas pessoas, honestas, de bom coração e -talvez- religiosas também?
O que faz de mim uma pecadora sendo gay? Será que o pecado se torna real na minha vida, à partir do momento em que eu AMO outra pessoa do mesmo sexo?

Sério, pastor. O amor não é quadrado e nojento desse jeito que você acredita. Com quem as pessoas transam não é da sua conta, e isso nem deveria fazer parte da igreja. 

Os gays não são “eles”, a fé não se paga com 10% do meu salário e não, você não é Deus.

O critério é ter xxt!

1 fev

Se você for mulher, sacou o que eu quero dizer. Se for homem, talvez.

Já reparou que você pode sair suada da academia, cabelo todo preso de qualquer jeito, camiseta do prefeito do ano retrasado, vermelha de tanto correr na esteira, que ainda assim, os caras da construção ao lado vão te olhar como se fosse a Megan Fox fazendo topless?

Bom seria se SÓ olhassem. Os comentários é que incomodam mais. Já ouvi cada absurdo que só não voltei lá pra meter a mão na cara do arrombado porque ele tinha turma.
Nem passando na frente de boteco na favela, às 3 da manhã, você ouve tanta baixaria. A única parte engraçada disso tudo, é reparar o critério dos caras: nenhum. Quer dizer, tem esse aí do título.
Se você for mulher – de forma perceptível, é claro -, eles vão andar até o final da obra te falando merda. Pode ser gordinha, alta, magrela, caolha, manca… basta ter xxt.

Eu só não entendo o porquê de tanta canalhice. Mesmo os casados, ou que namoram. Eles não são tipo soldados que precisam ficar trancados com uma Playboy por vez, no banheiro do quartel. E viam uma mulher a cada 6 meses no cabaré, nas apresentações de despedida.
(Eu sempre imagino que é assim quando vejo aqueles caras fardados de camuflado. Deve ser bem mais hardcore, mas isso não vem ao caso agora.)

Eu trabalhei numa empresa de homens. Na Administração e Recepção você encontrava algumas mulheres, algumas meninas mais novas que faziam um trabalho aleatório envolvido com… sei lá o que elas faziam.
De resto, eram todos homens. E a maioria operários, caras que ficam o dia todo dentro de um forno carregando coisas pesadas, operando máquinas gigantes e, principalmente: falando besteira.
A minha falta de feminilidade me ajudou muito nesse tempo. Me comparava com as outras meninas e pensava: cadê meu pênis?
Mentira, não chega a ser assim…

O problema era discutido na hora do almoço. A mesma angústia de todas as mulheres mais novas que trabalhavam perto de mim: ir na área. A “área” é onde todos esses machos alphas estavam. Me lembro de ter pedido pra um amigo ir comigo até lá, porque eu não tinha a mínima cara de aparecer toda destemida no meio dos caras.
Era um misto de vergonha e medo. Não medo deles. Mas, medo de ter uma reação muito doida lá no meio e acabar arrumando confusão.

Minha boca é maior que a minha noção do que pode/não pode.

Lembro também, de algumas meninas que até curtiam ir sem ninguém. Depois chegavam falando com aquela falsa modéstia ridícula de que AIII ELES FALAM CADA COISA HIHIHIHI

Eu com menos de cinco meses na empresa já sabia disso. As outras com mais de 2 anos ainda estavam “surpresas”? Tá então ¬¬

As nossas roupas, mesmo sociais, ainda não ajudam muito: as calças dificilmente são largas na bunda e nas coxas. As camisas sociais se você comprar um número maior, elas vão parecer masculinas. E calças maiores também, sem chance, difícil achar uma com passador de cinto. A vida é complicada pra mulher de escritório, gente.
Saias sociais também são super coladas, e instigam ainda mais a imaginação. Vestido então…

É. Tem mulher que gosta, tem mulher que se cobre inteira pra sair na rua, e eu: que me visto do jeito que eu gosto, e saio de fone.

Eu ODEIO Carnaval, e não pretendo gostar tão cedo.

1 fev

Eu não odeio o Carnaval porque as ruas ficam imundas e os acidentes nas estradas aumentam. Bom, seriam motivos BEM nobres pra se odiar. Mas, meu motivo é ainda mais embaixo.
Eu moro num bairro muito humilde, apesar das indústrias e firmas enormes por perto. Na verdade, a cidade de Itaquá é toda muito pobre. O meu sentimento por essa cidade é o de, simplesmente, morar aqui e aceitar. Não me orgulho, não odeio mas não estendo a bandeira.
E, apesar de nunca ter passado nenhum tipo de perrengue na vida, pude ver de perto a situação de pessoas que ganham hoje pra comer amanhã. Você que tá lendo vai pensar “ah, lá vai ela colocar a culpa no Carnaval.”
Exatamente.

Deus queira que você nunca tenha sentido a dor de passar fome. Ou então, mesmo sem nunca ter sentido, lembre de algum episódio da sua vida em que passou mais do que aguenta sem comer. Talvez na aula da faculdade, no trânsito. Lugares em que você não pode sair do nada. Nós, que somos felizes por poder parar em qualquer lanchonete, não costumamos passar fome até o limite. O limite é a tontura, o estômago doer de tal forma que você precisa deitar de bruços, e o sono que chega repentinamente. Não porque você precisa dormir, mas porque sua estrutura não te aguenta mais em pé.
Eu nunca passei fome, nem por mais de cinco horas. Porém, estudei em escola pública a minha vida toda. Visitava orfanatos com as professoras, com os meus pais, e conversava com as crianças. Aliás, FELIZMENTE conversei com essas crianças.

E onde o Carnaval entra nisso tudo? Bom, se você não percebeu, deixa que eu explico. Comemorar essa festa tosca seria como levantar o tapete e empurrar mendigos, saúde pública, merenda desviada, armas ilegais, tráfico pra debaixo. E, depois da festa, bate-se o tapete na janela. No ano que vem a gente faz tudo de novo.

O problema disso é que o Carnaval não envolve mais somente a alegria tradicional do brasileiro. Assim como o futebol, as Olimpíadas, os grandes movimentos culturais… Não se engane com a poesia que a rede Globo passa com peças de teatro gratuitas, exposições de arte e todo aquele circo montado na televisão. Desde sempre, a falsa arte foi usada como cenoura na ponta da vara pros coelhos que a política cria: nós mesmos.

E esse é, mais ou menos, o motivo pelo qual eu não SUPORTO o Carnaval. A gente tem coisa grande pra se preocupar, pra resolver. Todo esse dinheiro gasto em lantejoula e serpentina deveria estar no bolso de brasileiros fodidos que saem de madrugada, no trem assustadoramente lotado, pra achar um emprego que lhe pague, ao menos, a primeira refeição do dia.

Palhaçada, pra mim, só se for com nariz vermelho e cabelo colorido. Porque de gravata de seda e terno importado não tem a mínima graça.