A Mortemática e eu.

12 maio

“Eu pegava seu caderno pra ver o que tinha de lição, e o que eu encontrava? Nada. Gastava as aulas fazendo aquele monte de desenho besta.”

A escola foi um pesadelo. Gostei de algumas partes, mas poucas. Acho que meus amigos fizeram da escola um lugar menos pior…

Eu sempre tive muita frustração com números. Meus pais pensam que eu exagero, por causa daquela inflamação egocêntrica da família para assumir os erros dos filhos.

“Meu filho não é burro, é distraído.”

Eu sou os dois. Ficava duas, três aulas inteiras desenhando… Escrevia frases enormes dentro de arabescos, figuras, cores soltas. Só voltava à vida nas aulas de Português e Artes. Era como se alguém me puxasse de uma correnteza, como se eu pudesse respirar novamente. Exatamente assim.

Só tirava nota azul em Matemática quando alguém, com muito custo, me ensinava as fórmulas. Sentia que incomodava as pessoas com isso, meus professores pegavam minhas provas e trabalhos e respiravam fundo. Como quem imagina “lá vem…”.
Alguns olhavam pacientemente, corrigindo com calma, expressando preocupação e dó ao mesmo tempo. Queria morrer.

Sempre me senti burra. Já nem sei mais quantas vezes fui enganada com troco errado, preço errado, porcentagem de desconto. Não adianta ser ligeira e esperta se você nem sabe contar. 
Fico abismada com a minha lerdeza. 

Eu queria, ao menos, ter o superpoder de fazer conta de cabeça e o de fazer meus pais entenderem que meus desenhos nunca foram bestas.

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