Arquivo | fevereiro, 2015
23 fev

Eu amo falar. Eu amo pensar em milhares de coisas ao mesmo tempo e externar tudo isso. As pessoas que conseguem desenvolver um assunto comigo são as que eu mais valorizo. As que não se cansam, que não fazem cara feia e inventam desculpa pra ir embora.

Gosto de ler, gosto de ler em outros idiomas e tentar entender. É como se você não soubesse andar e estivesse aprendendo, se segurando nas paredes. É louco como isso tudo foi criado. Gosto de quem gosta de mudar de opinião e de me ouvir. De me esperar concluir uma teoria. Muitas vezes furada, sem nexo, mas sincera.

Gente sincera é como político honesto. Até existe, mas você talvez não se lembre de nenhum agora.

Queria escrever tudo, registrar tudo e ler depois. Queria viajar pra longe todo final de semana. Não pra praia, não pras montanhas, não pra simplesmente gastar dinheiro. Queria só me distrair na estrada e ver os animais pequenininhos no pasto, ler placas diferentes e ver o sol nascer sentada num bar feio de posto de gssolina.

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Dor.

9 fev

Viver durante 18 anos com um grito preso. Esperar por alguém que venha fazer o que você não teve coragem de fazer.

Eu tenho uma grande dificuldade, uma enorme dificuldade em confiar nas pessoas. De algum jeito sei que me farão mal. Sei que não serão verdadeiras, e também sei que nenhuma delas gostará de mim por completo.
Não porque eu não mereça, mas porque eu não deixo que façam isso.

Sei mascarar muito bem essa vontade de querer ser íntima. De querer participar de tudo. Na verdade, eu quero. Eu me sinto bem. Porém, logo uma nuvem negra se aproxima e eu vou lendo a intenção de cada um.
“Aquela ali te chamou porque você trouxe cerveja. Não seja idiota, ela não gosta de você.”
“Aquele cara conversa com você porque é amigo do seu namorado, não se engane, ele te odeia.”

E mesmo que essa bruxinha da discórdia -nome infantil pra um demônio interno- não apareça, eu dou um jeito de achar uma vírgula. De achar aquele ponto exato onde eu tive certeza de que não posso confiar em você.

Daí querem saber a que se deve essa amarra. Essa agonia de viver com dois pés atrás. Eu digo.
Vem de uma infância tão bonita que me amarga a boca contar. Vem de uma idade deliciosa de menina, de menina que é protegida pelas asas dos pais. De uma menina doce, de riso muito fácil, de gargalhada, de primos amorosos e finais de semana na praia.
Essa fase que tinha, em tantos aspectos, a chance de ser mais bonita ainda.

Não tenho coragem de contar abertamente, dar minha cara à tapa como se fosse morrer amanhã.
Talvez eu deixe escrito em algum papel velho, dentro das coisas que só eu mexo. Pois é assim que guardo essa memória tão áspera. Reservo-a dentro de mim em um canto escondido, esperando que NINGUÉM nunca tente alcançar.
Que ninguém tenha a audácia de me fazer lembrar outra vez.

Mas sempre acontece. Uma notícia na tv. Uma frase no jornal. Uma conversa de adulto. Uma conversa entre primas.
E como me dói, meu Deus. Me faz chorar sentindo uma corrente no pescoço, apertada, que estreita cada vez mais. A vontade de desistir é grande, mas não tão grande ainda. Não tão grande a ponto de me fazer estourar.
Grande somente pra me afastar de alguns amigos. Enorme pra me fazer sozinha.

E hoje durmo com essa lembrança revirada, esperando que chova hoje à noite. Aqui dentro vai chover, sempre vai chover.