11 ago

Eu carrego uma sensação muito peculiar comigo, desde os 17 anos: a de que vou morrer cedo. Consigo me ver envelhecendo, com netos, recebendo a família em casa, mas não sinto que isso vá acontecer.
Sinto que fui destinada à certas coisas, ou talvez “enviada” por algum propósito, e que logo serei chamada pra sair daqui. Não sei o que acontece depois – nem me preocupo em pensar nisso -, porém, a morte é um assunto recorrente dentro da minha cabeça.

O problema é que relacionamos a morte ao cruel; ao sombrio, violento e macabro. Eu não vejo assim. Percebo que assumir o interesse pela morte, até mesmo pela própria, seja visto com muita estranheza somente pelos que não têm coragem de abrir os olhos. Deitar no chão, deixar cada molécula sua sentir o gelado do piso, e encarar o teto, pensando: e se eu morrer amanhã? E se eu morrer agora?

Esquece o drama adolescente do “será que eu faria falta?”. É claro que faria. O morador de rua, sem família, que vive bêbado aqui na minha rua, faria falta se morresse de repente. Comigo, o alvo da situação nunca foi a de ninguém me amar. Pelo contrário. Eu sou rodeada de pessoas maravilhosas, que nitidamente me amam muito. O problema sou eu.

Talvez, essa tenha sido a frase que eu mais disse durante esses meses de 2017.

Tenho uma facilidade enorme pra escrever nesse blog, já que ninguém lê.

Lembro de contar à alguns amigos mais próximos sobre esse sentimento, que é tão estranho pra maioria e tão familiar pra mim. Chego a ter um certo “medo”, de continuar com a vida, realizar essa missão e ter que ir embora. Ter que deixar todo esse pessoal triste, pois eu era muito jovem. Muito cheia de vida.

Uma das verdades, é que sinto ter mais de uma personalidade. Sei que isso é impossível, de acordo com a Psicologia. Você pode ter oscilações, só isso. Eu devo ter alguns katrinas e tsunamis acontecendo dentro da minha cabeça, enquanto eu tento segurar tudo com durex e uma cadeira na maçaneta.
Eu me sinto usando uma máscara, constantemente, e quando a levanto pra mostrar uns 2% de mim, alguém a puxa de volta. Clichê. Sei disso.
Entretanto, essa faceta me faz bem. Esse teatro me dá amigos, baladas, conversas, algumas tretas pra movimentar a rotina, e muitos contatos de trabalho. Vamos mantê-la aqui.

Juro que não sou falsa.

Acho que, por enquanto, é isso. Ou metade… disso.

 

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