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20 ago

Eu me sinto culpada por coisas que nem deveriam estar dentro da minha cabeça. Fico ruminando sentimentos, curtindo gastrites que não são minhas.

Será que todo mundo tem isso? Será que todo mundo se deita, toda noite, pensando no tanto de coisa que faz de errado? Não errado, mas, sei lá, equivocado. Geralmente, eu ajudo todo mundo e nunca me resgato. Costumo me observar muito, minha mãe também diz isso. Eu me entendo, na maioria das vezes, mas não consigo aplicar o que passo aos outros.

Eu respiro fundo, penso “calma, vai melhorar”, e levanto mais um dia. Não dói, mas incomoda. Eu me sinto culpada por existir e não fazer nada por isso. Algumas vezes, sinto que só faço peso, só ocupo espaço, e não me sinto mal. Me sinto mal por não me sentir… mal?
Deve ser isso.

Olha só, eu me analisando de novo. Sozinha, à noite, no meu quarto, me isolando como costumo fazer quando mais preciso de ajuda. Deve ser saudável encontrar ajuda dentro de si, sem correr pros outros, porque nascemos e morremos sozinhos. Foda.

Ainda bem que tenho esse lugar pra falar, porque minha cabeça chega a superaquecer com as coisas que não posso contar. Até posso, mas enjoei dos olhares e das expressões de “eu, hein” disfarçadas de “conta comigo”.

Queria que chovesse mais um pouco.

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11 ago

Eu carrego uma sensação muito peculiar comigo, desde os 17 anos: a de que vou morrer cedo. Consigo me ver envelhecendo, com netos, recebendo a família em casa, mas não sinto que isso vá acontecer.
Sinto que fui destinada à certas coisas, ou talvez “enviada” por algum propósito, e que logo serei chamada pra sair daqui. Não sei o que acontece depois – nem me preocupo em pensar nisso -, porém, a morte é um assunto recorrente dentro da minha cabeça.

O problema é que relacionamos a morte ao cruel; ao sombrio, violento e macabro. Eu não vejo assim. Percebo que assumir o interesse pela morte, até mesmo pela própria, seja visto com muita estranheza somente pelos que não têm coragem de abrir os olhos. Deitar no chão, deixar cada molécula sua sentir o gelado do piso, e encarar o teto, pensando: e se eu morrer amanhã? E se eu morrer agora?

Esquece o drama adolescente do “será que eu faria falta?”. É claro que faria. O morador de rua, sem família, que vive bêbado aqui na minha rua, faria falta se morresse de repente. Comigo, o alvo da situação nunca foi a de ninguém me amar. Pelo contrário. Eu sou rodeada de pessoas maravilhosas, que nitidamente me amam muito. O problema sou eu.

Talvez, essa tenha sido a frase que eu mais disse durante esses meses de 2017.

Tenho uma facilidade enorme pra escrever nesse blog, já que ninguém lê.

Lembro de contar à alguns amigos mais próximos sobre esse sentimento, que é tão estranho pra maioria e tão familiar pra mim. Chego a ter um certo “medo”, de continuar com a vida, realizar essa missão e ter que ir embora. Ter que deixar todo esse pessoal triste, pois eu era muito jovem. Muito cheia de vida.

Uma das verdades, é que sinto ter mais de uma personalidade. Sei que isso é impossível, de acordo com a Psicologia. Você pode ter oscilações, só isso. Eu devo ter alguns katrinas e tsunamis acontecendo dentro da minha cabeça, enquanto eu tento segurar tudo com durex e uma cadeira na maçaneta.
Eu me sinto usando uma máscara, constantemente, e quando a levanto pra mostrar uns 2% de mim, alguém a puxa de volta. Clichê. Sei disso.
Entretanto, essa faceta me faz bem. Esse teatro me dá amigos, baladas, conversas, algumas tretas pra movimentar a rotina, e muitos contatos de trabalho. Vamos mantê-la aqui.

Juro que não sou falsa.

Acho que, por enquanto, é isso. Ou metade… disso.

 

23 fev

Eu amo falar. Eu amo pensar em milhares de coisas ao mesmo tempo e externar tudo isso. As pessoas que conseguem desenvolver um assunto comigo são as que eu mais valorizo. As que não se cansam, que não fazem cara feia e inventam desculpa pra ir embora.

Gosto de ler, gosto de ler em outros idiomas e tentar entender. É como se você não soubesse andar e estivesse aprendendo, se segurando nas paredes. É louco como isso tudo foi criado. Gosto de quem gosta de mudar de opinião e de me ouvir. De me esperar concluir uma teoria. Muitas vezes furada, sem nexo, mas sincera.

Gente sincera é como político honesto. Até existe, mas você talvez não se lembre de nenhum agora.

Queria escrever tudo, registrar tudo e ler depois. Queria viajar pra longe todo final de semana. Não pra praia, não pras montanhas, não pra simplesmente gastar dinheiro. Queria só me distrair na estrada e ver os animais pequenininhos no pasto, ler placas diferentes e ver o sol nascer sentada num bar feio de posto de gssolina.

Dor.

9 fev

Viver durante 18 anos com um grito preso. Esperar por alguém que venha fazer o que você não teve coragem de fazer.

Eu tenho uma grande dificuldade, uma enorme dificuldade em confiar nas pessoas. De algum jeito sei que me farão mal. Sei que não serão verdadeiras, e também sei que nenhuma delas gostará de mim por completo.
Não porque eu não mereça, mas porque eu não deixo que façam isso.

Sei mascarar muito bem essa vontade de querer ser íntima. De querer participar de tudo. Na verdade, eu quero. Eu me sinto bem. Porém, logo uma nuvem negra se aproxima e eu vou lendo a intenção de cada um.
“Aquela ali te chamou porque você trouxe cerveja. Não seja idiota, ela não gosta de você.”
“Aquele cara conversa com você porque é amigo do seu namorado, não se engane, ele te odeia.”

E mesmo que essa bruxinha da discórdia -nome infantil pra um demônio interno- não apareça, eu dou um jeito de achar uma vírgula. De achar aquele ponto exato onde eu tive certeza de que não posso confiar em você.

Daí querem saber a que se deve essa amarra. Essa agonia de viver com dois pés atrás. Eu digo.
Vem de uma infância tão bonita que me amarga a boca contar. Vem de uma idade deliciosa de menina, de menina que é protegida pelas asas dos pais. De uma menina doce, de riso muito fácil, de gargalhada, de primos amorosos e finais de semana na praia.
Essa fase que tinha, em tantos aspectos, a chance de ser mais bonita ainda.

Não tenho coragem de contar abertamente, dar minha cara à tapa como se fosse morrer amanhã.
Talvez eu deixe escrito em algum papel velho, dentro das coisas que só eu mexo. Pois é assim que guardo essa memória tão áspera. Reservo-a dentro de mim em um canto escondido, esperando que NINGUÉM nunca tente alcançar.
Que ninguém tenha a audácia de me fazer lembrar outra vez.

Mas sempre acontece. Uma notícia na tv. Uma frase no jornal. Uma conversa de adulto. Uma conversa entre primas.
E como me dói, meu Deus. Me faz chorar sentindo uma corrente no pescoço, apertada, que estreita cada vez mais. A vontade de desistir é grande, mas não tão grande ainda. Não tão grande a ponto de me fazer estourar.
Grande somente pra me afastar de alguns amigos. Enorme pra me fazer sozinha.

E hoje durmo com essa lembrança revirada, esperando que chova hoje à noite. Aqui dentro vai chover, sempre vai chover.

Chefe, dona, patroa, proprietária, empresária… e maluca.

23 out

Tô descobrindo minha coragem aos poucos. Ainda não assimilei a ideia de que deixei a segurança de um bom emprego, com aquele dinheiro certo todo mês.
Abri minha empresa, e como qualquer um que se aventura nessa coisa, tô me lascando. Perdendo mais dinheiro que ganhando, e agradando clientes das mais variadas formas.
Não reclamo tanto. Afinal, tive a sagacidade de guardar grana pra realizar meu sonho.
Alguns querem carro, outros um videogame foda, ou se casar. Eu queria ser dona. De tudo. Decidir pra onde vai cada coisa, organizar funções, e o mais importante: não receber ordem de babacas.
Talvez, eu vire uma babaca por querer ser chefe.
Vou cuidar pra que isso não aconteça.

Como é difícil ter seu próprio negócio. Chega uma hora que você deita a cabeça na escrivaninha, olha pra todos aqueles papeis misturados e pensa “não mereço isso”. Não devo. Não consigo. Vou falhar.

Eu tenho falhado muito, mas toda vez que penso em desistir lembro que o meu fracasso tá tentando ser maior que todas as vitórias que tive até agora.
Por enquanto, tô conseguindo colocar o acerto por cima da cagada.

Vamos ver até quando…

DOSSIÊ: Pão Integral

10 jun

Você sabe o que tá comendo? Sabe, além do sabor/cor/cheiro, o que tem na receita do pão? Da margarina? Do leite? Talvez você também tenha a mania de olhar a tabela nutricional, e ok. Isso te dá uma certa segurança.
Acaba trocando o pão francês pelo pão integral porque “disseram na TV que farinha branca engorda”. E o seu pão? É integral?
O que é produto “integral”? Quanto de farinha integral é preciso ter pra que seja, realmente, melhor que o pão comum?

Pegamos aquela embalagem bonita e personalizada no mercado, com a silhueta de uma mulher magra correndo de cabelo amarrado… Pão com iogurte, granola, sete cereais, cenoura, sem glúten. Você se acha atleta, saudável e linda cuidando da saúde.

Será que cuida? Será que engorda? Será que é integral?

Assisti ao documentário “Muito Além do Peso”, sobre crianças obesas no Brasil e no mundo. A repórter ligou para uma fábrica de pães para saber a quantidade de farinha integral na composição do produto. Depois de longas horas de espera, a atendente respondeu que a farinha integral é adicionada. É um detalhe. Um toque. Talvez, uma PITADA.
Isso quer dizer, resumidamente, que estamos pagando quase o dobro pelo pão de sempre. Já paguei sete reais por um pacote FIT (termo ridículo pra fazer o consumidor pagar mais por menos) de pão “integral”.

Eu acreditei na indústria. 

Hoje, não mais.

Lendo outra embalagem de pão integral, percebi que ao menos um fabricante assume que não utiliza 50/50. 
A Kim especifica nos ingredientes que utiliza apenas 3% de farinha integral. O que há de errado nisso, é que a embalagem diz claramente: PÃO INTEGRAL.
Se você não se preocupa em ler o verso da embalagem, acaba comprando gato por lebre. 
Aliás, um puta gato caro. Não estamos em condições de pagar uma fortuna por algumas fatias de pão comum sofrendo o placebo injusto da cultura da boa forma. Do fitness. 

A Coca Cola desentope canos e corrói os ossos. As pessoas não possuem o costume de saber o que estão comendo.

Quando for ao mercado, certifique-se de ler os ingredientes.

Ou vire amish e produza tudo isso.

A Mortemática e eu.

12 maio

“Eu pegava seu caderno pra ver o que tinha de lição, e o que eu encontrava? Nada. Gastava as aulas fazendo aquele monte de desenho besta.”

A escola foi um pesadelo. Gostei de algumas partes, mas poucas. Acho que meus amigos fizeram da escola um lugar menos pior…

Eu sempre tive muita frustração com números. Meus pais pensam que eu exagero, por causa daquela inflamação egocêntrica da família para assumir os erros dos filhos.

“Meu filho não é burro, é distraído.”

Eu sou os dois. Ficava duas, três aulas inteiras desenhando… Escrevia frases enormes dentro de arabescos, figuras, cores soltas. Só voltava à vida nas aulas de Português e Artes. Era como se alguém me puxasse de uma correnteza, como se eu pudesse respirar novamente. Exatamente assim.

Só tirava nota azul em Matemática quando alguém, com muito custo, me ensinava as fórmulas. Sentia que incomodava as pessoas com isso, meus professores pegavam minhas provas e trabalhos e respiravam fundo. Como quem imagina “lá vem…”.
Alguns olhavam pacientemente, corrigindo com calma, expressando preocupação e dó ao mesmo tempo. Queria morrer.

Sempre me senti burra. Já nem sei mais quantas vezes fui enganada com troco errado, preço errado, porcentagem de desconto. Não adianta ser ligeira e esperta se você nem sabe contar. 
Fico abismada com a minha lerdeza. 

Eu queria, ao menos, ter o superpoder de fazer conta de cabeça e o de fazer meus pais entenderem que meus desenhos nunca foram bestas.