Sem dó.

28 mar

Eu não vejo problema em julgar os outros. E você, se acha que tá “pecando” pensando besteira da estagiária que se debruça na mesa pra falar com o chefe, relaxa. Isso não é ruim.

O que seria de nós, se não julgássemos uns aos outros?

Andando de trem, naquela situação agradável das cinco e meia da tarde, um homem chega mais perto de mim. Bermuda larga, um metro de cueca à vista, camiseta de time, e óculos verde espelhado daqueles que ficam grudados na cara. 
Daí a Madre diz que não desconfiou. Claro que eu desconfiei. Me afastei um pouco, saí da zona de ataque dele. 
Deu Corinthians-Itaquera, ele desceu. Fez nada comigo, mas eu não tô aqui pra dar oportunidade pra safado.
Será que era mesmo safado? Não sei. Talvez fosse um estuprador, traficante, fugitivo ou um cara qualquer que goste de se vestir assim. Um cara legal, talvez. 
Eu, na condição de pessoa falha e comum, julgo mesmo. Penso bobagem por uma questão de sobrevivência.

É até gostoso ficar imaginando sandices dos outros.

Aquele cara de terno e gravata com uma maleta no colo. Ele pode estar carregando dinamites.
A moça de cabelo alisado e vestido justo, que usa óculos de sol à noite. Deve estar saindo agorinha mesmo do motel depois de um encontro alucinante com o prefeito da cidade. Que é casado, é claro.
A senhorinha de saia até o joelho, coque no topo da cabeça e Bíblia embaixo do braço… e algumas G Magazine embaixo da cama.

Ficar pensando em realidades possíveis pra gente estranha é um dom, não pecado. 

E isso me ensinou a virtude de não confiar em ninguém.
Nunca.

Eu me pego olhando de lado, com a sobrancelha arqueada, esperando o final da história de gente que eu não conheço bem. Pode até ser verdade, mas dificilmente eu acredito. Faço aquela cara de quem tá adorando ouvir, mas por dentro quero morrer. E talvez por ser uma ótima mentirosa, geralmente eu reconheço uma mentira antes mesmo de você chegar no meio dela.

Julgo, desconfio e adoro. Sem dó.

Papinho Paraíba

26 mar

Adoro ouvir a conversa dos outros. Ainda mais quando acham que eu não tô ouvindo.

Ontem, depois de uma enxaqueca alucinante (devido à minha genialidade em tomar energético de estômago vazio), consegui ouvir o papinho de dois caras, sentados bem atrás de mim.
Não sei mas, eles mantinham um tom de voz diferente. Acho que queriam que eu ouvisse, talvez.
Um de 22, e outro de 23. Falando sobre emprego, carro, mulher, dinheiro… O mais novo fica marcado como Fulano 1 na história, e o mais velho como Fulano 2.

Fulano 1 – Eu quero sair de lá. Não aguento mais meu chefe. Quero fazer Arquitetura, um curso de Fotografia… (meu interesse crescendo em 3, 2, 1…)
Fulano 2 – Rapai, nunca pensei em faculdade, sabia? Só queria sair da escola e ter meu carro, minha moto, minha mulher e pá…
1 – Hum.
2 – É, maninho. Eu vejo as mulher chegando lá no serviço, tudo maquiada, arrumada. Parecendo que vai pra festa. E estudô? Estudô um caraio! Mulher não estuda, basta ser bonitona. Ganha mais que nóis, sabia não? Elas tem dessa, chega pro chefe e ele faz de um tudo.
1 – Não é bem assim.
2 – Pff, né não? É sim! Agora memo tô fazendo birra. Já pedi pro patrão mandá embora, e nada. Falei “ah vai não?”, e num tô indo mais. Falsifiquei atestado. Falsifico memo. Quero pegá logo meus direito e ir pra minha Paraíba.
1 – Chefe é foda.
2 – E num é?!

Não é. Essa conversa foi absurda em tantos pontos que, sinceramente, eu não sei quais pontuar primeiro.
Não sei se preciso pontuar. É tudo muito óbvio.
É tudo MUITO errado.

 

Eu + Igreja = ERROR

17 fev

Antes que comece a chover pedra e crítica nonsense no blog, favor acalmar a sua fia interior. Obrigada.

Ontem fui “aprender” a ser madrinha de uma criança, na igreja católica. Tive que fazer aquele curso onde eles dizem ensinar alguma coisa. 
Até aí, tudo bem. Não BEM, mas ok.
O problema foi antes disso…

Pro causo não ficar incompleto, foi contar o porquê do título do post. 
Gente, eu gosto de coisas boas. Eu sou boazinha com animais, crianças, e até com algumas (poucas) pessoas. 
Quando eu chego na igreja tenho essa falsa esperança de que vou encontrar pessoas alegres, bondosas e gentis. Elas existem, mas com certeza não vão à igreja.

Há alguns meses, entrei em uma igreja acompanhando minha amiga. Já fui medida dos pés à cabeça na entrada por não ser conhecida pelas carolas. Até aí ok, eles seguem um padrão lá dentro e não gostam quando alguém zoa o barraco. Firmeza.
Não me ofendi porque é preciso mais que isso.
A tensão era tanta, que eu ouvi a frase “arranque o braço direito se este o leva ao pecado; pois é melhor estar desmembrado, do que condenar todo o corpo ao fogo do inferno”, e fiquei quieta. 
Não questionei, não respirei fundo, e nem franzi a sombrancelha. Um pouco sim, mas me certifiquei de que ninguém viu.
Depois, lendo aquele A4 feito porcamente no Word (humildade não é sinônimo de falta de capricho), vi o seguinte: KYRIE ELEISON.
Santinho de algum prefeito de Itaquá? Nome da filha da Carla Perez? Jogador do Curintia? Não, não e não.
Essas duas palavras são esquisitas, ainda mais pra mim, e eu fui cometer o erro de perguntar o que significa.

Perguntar significados.

NUNCA COMETA ESSE SACRILÉGIO.
O cara se diz seu irmão, filho do mesmo pai, aleluia, mas te julga ferozmente se você não sabe qualquer coisa envolvida com as musiquinhas babacas que eles cantam. 
Fui procurar no Google depois. O significado é basicamente o que eles falam em todas as outras musiquinhas.

Depois disso, desanimei. O padre falava sobre coisas que eu não entendia, soltava lições de moral que eu não concordava…
Foi tudo virando uma enorme situação desconfortável e, de certa forma, humilhante. 
Fiquei de saco cheio daquele mimimi de “não pode, não deve, não faça, e se fizer vai pro Inferno” que levantei e saí.
Eu não tenho religião e tenho integridade o bastante pra não julgar as pessoas que gostam ou precisam da igreja.
Porque então, pessoas que estão lá supostamente aprendendo o amor, são tão maldosas e estão sempre prontas pra te atacar?
Porque eu preciso me rebaixar, e deixar que você me critique por eu não me encaixar nas suas definições?
Porque DEUS é vingativo e maligno, e o DEMÔNIO pode levar a culpa do que acontece de ruim na sua vida?

Continuando…

Depois que eu já havia perdido completamente a esperança em gostar da igreja, meus primos me chamar pra batizar o filho deles. Eu explodi de alegria, me senti a pessoa mais amada do mundo, e posso até arriscar em dizer que o meu carinho e amor pelo Raphael aumentou uns 500%.
Me senti mais parte da família. Eu era a prima do Raphael, agora eu sou a DINDA. A tia que ele vai ligar de madrugada pedindo conselho, vai dormir na minha casa vendo filme até o outro dia, aquela que ele vai esperar chegar no aniversário dele com o presente mais legal e improvável DO MUNDO porque nós seremos tão brothers que… UAU. 
Que delícia viajar assim, gente.

Voltando ao curso…
Fiquei uma hora ouvindo três pessoas falarem um blá blá blá whiskas sachê que, na verdade, durou cinco dias na minha cabeça. Não acabava nunca.
Comecei a devanear e pensar em filmes bons que eu preciso baixar. Dietas que eu quero começar. Bandas que eu preciso ouvir. E pessoas que eu gostaria de matar.

Se você tem a cabecinha lenta, e precisa de um empurrão pra não ser uma madrinha de merda, o curso funciona.

Obs.: Eu não chamaria as canções de babacas se tivessem me tratado, ao menos, não tão mal.

10.329 Coisas Que Eu Odeio Em Comédias Românticas

13 fev

Tenho um horror especial por comédia-romântica. Não acho nada agradável assistir com o namorado, um tipo de ficção que retrata o que mulherzinhas choronas pensam da vida amorosa. O que pensam, e esperam. 

Algumas vivem anos esperando pelo mocinho loiro norte-americano de olhos incrivelmente azuis que vai parar uma aula de Educação Física pra cantar “Can’t Take My Eyes Of You” olhando pra ela, com aquele sorriso de canto que só o Heath Ledger sabia fazer. Essa cena foi bonita no começo, quando o filme foi lançado. Depois, cansou. E aí, eu pude reparar nos dentes esquisitinhos da Julia Stiles.

Deixa pra lá.

Me sinto sozinha, sempre me sinto sozinha. As amigas mais próximas comentando coisas que não me interessam. Não que eu goste SOMENTE de assuntos masculinos, até porque passo horas escolhendo cremes, esmaltes e maquiagem. Gosto de frequentar salão, ler a última Marie Claire e falar do ator safado que traiu a mulher ex-miss. Gosto mesmo.
Só não vejo tanta graça em pintar um mundinho doce de amor, tomando como base a ficção.

Ficar puta com o namorado porque ele não compra flores. FLORES. F.L.O.R.E.S. 
Flores são lindas, coloridas, clássicas. E você quer que estejam dentro da droga de um cone de papel, pra que você possa mostrar para as amigas que SEU NAMORADO É MELHOR QUE O DELAS.

Inventar briguinha porque ele não “prova” que te ama.
E você? Prova? Você entra na frente dos carros com um megafone gritando que o ama, aluga carros de som e sobe no capô com um coração de pelúcia, ou fez tatuagem do nome dele? Parabéns. Idiota.

Os homens também são bobos. E o meu lado macho recém-desenvolvido acha isso realmente nojento.
Mulher tontinha a gente meio que entende, aquela que se faz de frágil e coitada. Que tem medo do escuro, não mata barata, mal sabe segurar um controle de videogame, lamenta horas quando a unha quebra, e só sabe conversar sobre a novela.
Eu relevo porque conheço algumas. 
São lindas bonequinhas ridicularizadas pelas costas, porém, dificilmente irão perceber.

Agora, voltando aos homens mimizentos… (preciso manter uma linha só de pensamento, me perco muito fácil)
Aquele que jura ser o maior solitário do mundo, se acha feio, que ninguém ama, mulher nenhuma olha, ai ai ai meu Deus como eu sou dodói.
Morra.

A gente adora (rir de) homem assim.

E de mulheres também.

Não, não vou fazer lista alguma de 10.329 coisas. Faz você.

 

 

Pastor Silas Malafaia e a contradição: best friends forever

4 fev

Pastor Silas Malafaia se diz igual à todo mundo. Chama os fiéis de ovelhas, e intitula-se pastor. Faz questão de levar a declaração do imposto de renda à um programa de entrevista, quando lugar nenhum questionou a procedência do dinheiro. De uma pergunta simples, surgiu um homem alterado e furioso com qualquer tipo de questão que fosse feita.
Todas eram direcionadas ao fato de alguns brasileiros acharem sua conduta duvidosa.
O problema é que em nenhum momento foi dito isso. Marília Gabriela simplesmente comentou, por cima, o que a revista Forbes havia publicado: ele é o pastor mais rico do país, ou um dos, não lembro…

Na minha cabeça, uma pessoa íntegra e ciente de seus atos, diria que a revista exagerou no que disse. Que já entraria com um processo contra a matéria, fim, resolvido.
Não foi assim. O pastor só faltou subir na mesa, pegando seus papéis de declaração e falando cada vez mais alto.

A gente sabe como um mentiroso age. Eu sou formada em Design Gráfico, não tenho nada a ver com Psicologia. É que eu nunca vi alguém falar a verdade com tanta bronca, tanto grito. Mentiroso é que faz teatrinho. Mentiroso chora, faz manha, contorna o assunto. Quem fala sério impõe a voz; diferente de gritar. Fala claramente porque precisa que você ouça cada palavra. Se mantém calmo, não tem o que esconder.
O pastor perdeu a credibilidade por isso. Ele engana seus fiéis, gente desesperada que paga o dízimo e completa o leite com água. Sei que dinheiro e fé não andam juntos.

No decorrer do programa, o assunto mais esperado acaba caindo: homossexualidade. Que aliás, ele não consegue mudar o “ismo” quando se refere à homossexuais. Diz que ama os gays, que não tem problema com eles…
Ah, por favor. A forma como ele “aceita” a homossexualidade é martelando a sua cura por meio de Deus. Que segundo ele, ninguém nasce gay. É apenas um comportamento.

Ok.

Agora, peço só que você vá um pouco mais fundo comigo… O pastor diz que não acredita que uma pessoa possa nascer gay, porque não existe nenhum dado genético que altere a opção sexual. Certo?

Um cara que acredita em milagres, mares abrindo e Jesus Cristo voltando. Tudo isso de existência contestável, né?
Ele é cético pra acreditar em genética. Evolução humana. E é religioso pra dizer que os gays são possuídos pelo demônio. É cético pra dizer que as pessoas adquirem comportamentos homossexuais. É religioso pra julgar todos os seus atos, porque Deus tá vendo e vai te mandar pro inferno se você não se converter.

Então? Cético ou evangélico? O amor entre homem e mulher é coisa de Deus. Entre pessoas do mesmo sexo é maldição. Não continua sendo amor? Eles não continuam sendo boas pessoas, honestas, de bom coração e -talvez- religiosas também?
O que faz de mim uma pecadora sendo gay? Será que o pecado se torna real na minha vida, à partir do momento em que eu AMO outra pessoa do mesmo sexo?

Sério, pastor. O amor não é quadrado e nojento desse jeito que você acredita. Com quem as pessoas transam não é da sua conta, e isso nem deveria fazer parte da igreja. 

Os gays não são “eles”, a fé não se paga com 10% do meu salário e não, você não é Deus.

O critério é ter xxt!

1 fev

Se você for mulher, sacou o que eu quero dizer. Se for homem, talvez.

Já reparou que você pode sair suada da academia, cabelo todo preso de qualquer jeito, camiseta do prefeito do ano retrasado, vermelha de tanto correr na esteira, que ainda assim, os caras da construção ao lado vão te olhar como se fosse a Megan Fox fazendo topless?

Bom seria se SÓ olhassem. Os comentários é que incomodam mais. Já ouvi cada absurdo que só não voltei lá pra meter a mão na cara do arrombado porque ele tinha turma.
Nem passando na frente de boteco na favela, às 3 da manhã, você ouve tanta baixaria. A única parte engraçada disso tudo, é reparar o critério dos caras: nenhum. Quer dizer, tem esse aí do título.
Se você for mulher – de forma perceptível, é claro -, eles vão andar até o final da obra te falando merda. Pode ser gordinha, alta, magrela, caolha, manca… basta ter xxt.

Eu só não entendo o porquê de tanta canalhice. Mesmo os casados, ou que namoram. Eles não são tipo soldados que precisam ficar trancados com uma Playboy por vez, no banheiro do quartel. E viam uma mulher a cada 6 meses no cabaré, nas apresentações de despedida.
(Eu sempre imagino que é assim quando vejo aqueles caras fardados de camuflado. Deve ser bem mais hardcore, mas isso não vem ao caso agora.)

Eu trabalhei numa empresa de homens. Na Administração e Recepção você encontrava algumas mulheres, algumas meninas mais novas que faziam um trabalho aleatório envolvido com… sei lá o que elas faziam.
De resto, eram todos homens. E a maioria operários, caras que ficam o dia todo dentro de um forno carregando coisas pesadas, operando máquinas gigantes e, principalmente: falando besteira.
A minha falta de feminilidade me ajudou muito nesse tempo. Me comparava com as outras meninas e pensava: cadê meu pênis?
Mentira, não chega a ser assim…

O problema era discutido na hora do almoço. A mesma angústia de todas as mulheres mais novas que trabalhavam perto de mim: ir na área. A “área” é onde todos esses machos alphas estavam. Me lembro de ter pedido pra um amigo ir comigo até lá, porque eu não tinha a mínima cara de aparecer toda destemida no meio dos caras.
Era um misto de vergonha e medo. Não medo deles. Mas, medo de ter uma reação muito doida lá no meio e acabar arrumando confusão.

Minha boca é maior que a minha noção do que pode/não pode.

Lembro também, de algumas meninas que até curtiam ir sem ninguém. Depois chegavam falando com aquela falsa modéstia ridícula de que AIII ELES FALAM CADA COISA HIHIHIHI

Eu com menos de cinco meses na empresa já sabia disso. As outras com mais de 2 anos ainda estavam “surpresas”? Tá então ¬¬

As nossas roupas, mesmo sociais, ainda não ajudam muito: as calças dificilmente são largas na bunda e nas coxas. As camisas sociais se você comprar um número maior, elas vão parecer masculinas. E calças maiores também, sem chance, difícil achar uma com passador de cinto. A vida é complicada pra mulher de escritório, gente.
Saias sociais também são super coladas, e instigam ainda mais a imaginação. Vestido então…

É. Tem mulher que gosta, tem mulher que se cobre inteira pra sair na rua, e eu: que me visto do jeito que eu gosto, e saio de fone.

Eu ODEIO Carnaval, e não pretendo gostar tão cedo.

1 fev

Eu não odeio o Carnaval porque as ruas ficam imundas e os acidentes nas estradas aumentam. Bom, seriam motivos BEM nobres pra se odiar. Mas, meu motivo é ainda mais embaixo.
Eu moro num bairro muito humilde, apesar das indústrias e firmas enormes por perto. Na verdade, a cidade de Itaquá é toda muito pobre. O meu sentimento por essa cidade é o de, simplesmente, morar aqui e aceitar. Não me orgulho, não odeio mas não estendo a bandeira.
E, apesar de nunca ter passado nenhum tipo de perrengue na vida, pude ver de perto a situação de pessoas que ganham hoje pra comer amanhã. Você que tá lendo vai pensar “ah, lá vai ela colocar a culpa no Carnaval.”
Exatamente.

Deus queira que você nunca tenha sentido a dor de passar fome. Ou então, mesmo sem nunca ter sentido, lembre de algum episódio da sua vida em que passou mais do que aguenta sem comer. Talvez na aula da faculdade, no trânsito. Lugares em que você não pode sair do nada. Nós, que somos felizes por poder parar em qualquer lanchonete, não costumamos passar fome até o limite. O limite é a tontura, o estômago doer de tal forma que você precisa deitar de bruços, e o sono que chega repentinamente. Não porque você precisa dormir, mas porque sua estrutura não te aguenta mais em pé.
Eu nunca passei fome, nem por mais de cinco horas. Porém, estudei em escola pública a minha vida toda. Visitava orfanatos com as professoras, com os meus pais, e conversava com as crianças. Aliás, FELIZMENTE conversei com essas crianças.

E onde o Carnaval entra nisso tudo? Bom, se você não percebeu, deixa que eu explico. Comemorar essa festa tosca seria como levantar o tapete e empurrar mendigos, saúde pública, merenda desviada, armas ilegais, tráfico pra debaixo. E, depois da festa, bate-se o tapete na janela. No ano que vem a gente faz tudo de novo.

O problema disso é que o Carnaval não envolve mais somente a alegria tradicional do brasileiro. Assim como o futebol, as Olimpíadas, os grandes movimentos culturais… Não se engane com a poesia que a rede Globo passa com peças de teatro gratuitas, exposições de arte e todo aquele circo montado na televisão. Desde sempre, a falsa arte foi usada como cenoura na ponta da vara pros coelhos que a política cria: nós mesmos.

E esse é, mais ou menos, o motivo pelo qual eu não SUPORTO o Carnaval. A gente tem coisa grande pra se preocupar, pra resolver. Todo esse dinheiro gasto em lantejoula e serpentina deveria estar no bolso de brasileiros fodidos que saem de madrugada, no trem assustadoramente lotado, pra achar um emprego que lhe pague, ao menos, a primeira refeição do dia.

Palhaçada, pra mim, só se for com nariz vermelho e cabelo colorido. Porque de gravata de seda e terno importado não tem a mínima graça.